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Nosso Editorial

 

A professora e um aluno muito especial...

Seu nome era Beatriz. Enquanto esteve a frente de sua classe de 5 ° grau, o primeiro dia de aula sempre começava com uma pequena mentira. Como a maioria dos professores, ela olhava aos seus alunos e lhes dizia que os queria a todos por igual. Mas, isso não era verdade, porque aí, na primeira fileira, indolente e jogado sobre a sua cadeira, estava uma criança chamada Antonio.

A senhora Beatriz havia observado a Antonio, desde o curso anterior e notou que ele não brincava com as outras crianças, sua roupa não estava bem cuidada e constantemente necessitava de um bom banho. Antonio começava a ficar um pouco desagradável. Até que em um momento determinado a senhora Beatriz não tinha nenhum problema em anotar os trabalhos de Antonio, com uma nota baixa e de reprovação, até com um certo gosto.

Na escola onde Beatriz ensinava, lhe solicitavam revisão da historia de cada criança, chegado o momento, ela deixou a pasta de Antonio para o fim de todas as outras. Quando revisou tudo em detalhe, teve uma grande surpresa. A professora de primeiro grau tinha colocado: "Antonio é uma criança muito boa, sempre com um sorriso na boca, faz seu trabalho de forma muito inteligente e tem muito boas maneiras, é um prazer trabalhar com ele..." Esse não podia ser o "seu" Antonio...

A professora de segundo grau escreveu: "Antonio é um excelente aluno, é muito atencioso com seus companheiros, brinca muito bem com todos, mas, nota-se um pouco preocupado porque sua mãe tem uma doença muito seria e o ambiente na casa deve ser muito difícil". A professora de terceiro grau escreveu: "Sua mãe morreu, foi muito duro para ele. Trata-se de esforçar, mas, seu pai não demonstra muito interesse e o ambiente caseiro será uma barreira muito difícil de superar se não se tomam certas medidas..."

Antonieta, a professora de quarto grau escreveu: "Antonio encontra-se atrasado em comparação aos seus colegas, e não demonstra interesse na escola, não faz amigos e dorme na aula".

Neste momento Beatriz, a atual professora, percebeu a seriedade do caso e ficou com muita pena e triste, a começar com ela mesma, pelo pouco atenta que tinha sido com as circunstancias sem averiguar o porque das coisas. Ela ficou pior, quando no dia do professor lhe levaram alguns presentes, todos eles muito bem decorados, com papeis brilhantes, fitas de cores, exceto o presente de Antonio. Seu presente estava feio, em um papel cor madeira, que tinha pegado de uma sacola de papel.

Beatriz teve medo de abrir esse presente, no meio dos outros. Algumas crianças começaram a rir quando ela encontrou uma velha pulseira e um frasco de perfume somente com a metade de seu conteúdo. Ela parou bruscamente as burlas das crianças ao exclamar que bonita era a pulseira, ao usá-la e colocar um pouco de perfume no seu braço. Antonio ficou esse dia até o fim da aula, o tempo suficiente para dizer: "Senhora Beatriz, hoje a Senhora cheira com cheirava a minha mãe, muito obrigado" e saiu muito rápido.

Depois que Antonio foi, ela ficou chorando pelo menos uma hora. Desde esse dia deixou somente de ensinar aritmética, ler e escrever e, começou a educar as crianças. Beatriz manteve uma mirada particular sobre Antonio. Conforme trabalhava com ele, parecia que sua inteligência voltava com mais força, mais o apoiava, mais respondia.

Chegando o fim do período escolar, Antonio tinha-se convertido em uma das crianças mais aplicadas da turma e, embora a mentira inicial de que queria a todos os alunos por igual, Antonio fora um dos mais consentidos da professora. Um ano depois, ela encontrou uma nota debaixo de sua porta, era de Antonio lhe dizendo que ela tinha sido a melhor professora de sua vida.

Seis anos depois, pela mesma época, recebeu outra carta de Antonio, agora dizendo que estava começando muito bem na faculdade e que seguia considerando a Senhora Beatriz sua melhor professora e que nunca a esqueceria.

Quatro anos depois, recebeu outra carta. Nesta ocasião Antonio lhe explicava que após concluir sua graduação, decidiu viajar um pouco, apreender um pouco mais, e assinava de forma diferente, agora com um Doutor na frente de Antonio. Mas, a historia não termina aqui, haveria uma nova carta, nela Antonio lhe escrevia que tinha conhecido uma moça, com a qual se casaria. Explicava também que o pai tinha morrido já fazia dois anos e lhe perguntava a sua querida senhora Beatriz se poderia ocupar na boda o lugar que normalmente seria reservado para a mãe do noivo. Naturalmente Beatriz aceitou...

E adivinhem! Foi usando a velha pulseira e usou também o perfume que Antonio recordava que tinha utilizado sua mãe no último dia que passaram juntos.

Abraçaram-se longa e fortemente, e o "Doutor" Antonio, chorando, lhe sussurrou no ouvido: "muito obrigado senhora Beatriz, por acreditar em mim. Muito obrigado por me fazer sentir importante e mostrar que eu posso fazer a diferença, muito obrigado Senhora Beatriz..."

Beatriz respirou e disse: "Antonio te equivocas, foi você que me ensinou a mim, que posso fazer a diferença..." "não sabia educar até que te conheci".

E claro que como sempre fizemos, começamos com uma historinha, mas..., será que já pensamos se temos feito a diferença de alguém? Se tentarmos ir a fundo antes de julgar uma criança que nos parece indolente? Se ouvirmos a voz de quem estava esperando por alguém que tivesse confiança nele?

Isto é o que cada um de nossos associados e voluntários estão fazendo... A diferença para cada uma de nossas crianças...

 

 
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